Risco de caixa dois em eleições continua, diz Gilmar

Às vésperas de deixar o comando do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ministro Gilmar Mendes afirmou que a Justiça Eleitoral precisa seguir atenta à campanha eleitoral deste ano, porque o risco da prática do caixa dois “continua, e com maiores problemas”.

Ele passa o comando do tribunal amanhã ao ministro Luiz Fux e destaca que a eleição municipal de 2016 já mostrou que, apesar de todas as revelações feitas recentemente por executivos de empreiteiras, a utilização de recursos sem registro e identificação de procedência se manteve.

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“Agora nós tivemos a primeira eleição, em 2016, a municipal, sem doação das empresas privadas. Veja o que ocorreu. Tivemos 750 mil doadores. Mais de 300 mil não tinham condições de doar. O que significa que já está rolando um caixa dois. Eu não quero adivinhar, mas certamente esse é um dos grandes problemas para a eleição deste ano”, afirmou Gilmar Mendes.

Ele alertou que os problemas podem vir de “instituições que dispõem de recursos líquidos para repassar para as campanhas”. Questionados sobre quais, ele citou o crime organizado, sindicatos e igrejas.

Além do caixa dois, Gilmar Mendes destacou que outro desafio da Justiça Eleitoral será coibir o uso de fake news, notícias falsas para destruir candidaturas, principalmente pela internet. “Isso nos preocupa, preocupa o mundo todo. Não só aqui. Por isso criamos um comitê interdisciplinar, com participação da Polícia Federal, do Exército, de todos os setores da sociedade, para combater a disseminação de notícias falsas”, afirmou o ministro.

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